Irã é o novo Iraque? Apesar de críticas anteriores às intervenções americanas no Oriente Médio, Trump aposta na mudança de regime

O Irã é um país localizado no Oriente Médio. Antiga Pérsia, o país é a casa de 92 milhões de pessoas de diferentes etnias, mas em sua maioria persa. Sua localização estratégica – o grande planalto do Irã é uma ponte terrestre que une Ásia Central, Oriente Médio e o Cáucaso –, somada aos seus valiosos recursos naturais como o petróleo, denotam a importância estratégica do país. Politicamente, o país se organiza como uma teocracia islâmica liderada pelo aiatolá Ali Khamenei desde 1989 até sua morte em 2026 como consequência dos mais recentes ataques israelenses e americanos ao país. 

Os ataques recentes

Iniciada na madrugada de 28 de fevereiro de 2026, a Operação Epic Fury marcou o início de uma campanha militar coordenada entre Estados Unidos e Israel. Diferente das incursões do ano passado, a Epic Fury foi uma ofensiva projetada para paralisar o comando e controle iraniano, para além de uma estratégia de decapitação – em que não apenas o aiatolá Khamenei foi atingido, mas também outras lideranças do regime –, também contou com uma tentativa de “cegar” o ambiente cibernético do país, com os ataques cinéticos contra aproximadamente 2.000 alvos em território iraniano. Esses ataques cinéticos, que se trata de um tipo de ataque cibernético, visavam desestabilizar não apenas centrais de comunicação, comando e controle, mas também paralisar o funcionamento de máquinas e sistemas industriais diversos.

O foco central da incursão aérea foi a neutralização das bolhas de antiacesso e negação de área (A2/AD), que visavam proteger os complexos militares e nucleares iranianos. Para tanto, os EUA e Israel utilizaram uma combinação de vetores furtivos, armamentos de precisão e drones kamikaze, operando de forma coordenada.

No cerne dessa ofensiva estavam os caças de quinta geração F-35 Lightning II e sua variante israelense, o F-35I Adir. Estas aeronaves, caracterizadas por sua baixa observabilidade ao radar, permitiram a infiltração no espaço aéreo iraniano sem a detecção precoce pelas baterias de mísseis S-300. A principal vantagem estratégica desses caças reside no mapeamento em tempo real das defesas móveis iranianas, transmitindo dados críticos para o restante da frota sem comprometer sua posição. Complementando a furtividade, os aviões de guerra eletrônica EA-18G Growler atuaram na saturação dos radares inimigos, utilizando interferência eletromagnética para “cegar” os centros de controle de Teerã.

Quanto à destruição física de alvos estratégicos, o uso do bombardeiro B-2 Spirit foi determinante para atingir as instalações nucleares subterrâneas. Estas aeronaves lançaram a bomba GBU-57 Massive Ordnance Penetrator (MOP), com 14 toneladas capaz de penetrar dezenas de metros de concreto e rocha antes de detonar. O emprego desta arma específica visou superar a estratégia iraniana de encastelamento, que, como mencionado anteriormente, buscava proteger suas centrífugas de urânio em locais profundos, como em Fordow e Natanz.

Além da aviação tripulada, a operação também contou com o uso de drones kamikaze por parte dos EUA, ironicamente, sendo sua própria versão do drone iraniano Shahed-136. Apesar de já terem sido utilizados em janeiro deste ano durante a Operação Absolute Resolve contra a Venezuela, alguns analistas apontam o episódio contra o Irã como a estreia em combate do LUCAS (Low-Cost Unmanned Combat Attack System). Os EUA utilizaram esses drones contra refinarias, bases da Guarda Revolucionária e centros de comunicações, como multiplicadores de força, sobrecarregando as defesas de curso alcance.

Foto: Drone LUCAS obtido a partir de engenharia reversa do drone iraniano Shahed-136/Wikipedia

Algo que já tem sido observado desde a guerra russo-ucraniana é a coordenação entre alta tecnologia e sistemas descartáveis de baixo custo. No caso iraniano, enquanto os bombardeiros furtivos focavam nas instalações nucleares, os drones kamikaze foram lançados para identificar e destruir baterias de radares e lançadores móveis de mísseis. O emprego desses enxames permitiu que as forças aliadas exauriram os estoques de mísseis interceptadores iranianos, saturando a defesa aérea e abrindo corredores seguros para vetores mais pesados. 

Além disso, a precisão foi garantida pelo uso do míssil Tomahawk Block V, lançado a partir de submarinos e navios na costa, capazes de alterar seu alvo em pleno voo com base em dados de inteligência coletados pelos próprios drones que sobrevoaram a zona de conflito. No âmbito terrestre, a operação destacou a eficiência do Precision Strike Missile (PrSM) acoplado ao sistema HIMARS. Este armamento foi fundamental para atingir as bases de lançamento da Guarda Revolucionária localizadas em áreas de difícil acesso no interior do planalto iraniano.

Campanhas de bombardeio e mudança de regime: lições e limitações

Para compreender a fundamentação estratégica da Operação Epic Fury, é imperativo recorrer à análise clássica de Robert Pape em sua obra Bombing to Win. Segundo o autor, o sucesso do poder aéreo em obter concessões políticas depende da escolha entre estratégias de punição, decapitação ou negação. Pape argumenta que a punição de populações civis raramente atinge objetivos políticos, pois tende a aumentar a coesão nacional contra o agressor. No contexto iraniano, os ataques de 2026 parecem ter sido desenhados sob a lógica da negação (denial), buscando convencer o regime de que ele não possui mais os meios materiais para perseguir seu programa nuclear ou manter sua hegemonia regional, independentemente de sua vontade política.

Contudo, a operação também contou com a estratégia de decapitação, ao visar diretamente o Aiatolá Khamenei e o alto comando militar. Pape adverte que a decapitação de lideranças em regimes teocráticos ou altamente ideologizados pode ser contraproducente, pois o vácuo de poder resultante frequentemente leva ao caos ou à ascensão de figuras ainda mais radicais, em vez de uma rendição organizada. No caso presente, a morte de Khamenei e de lideranças como Pakpour e Ahmadinejad removeu os interlocutores capazes de negociar uma cessação de hostilidades, colocando o Irã em um estado de paralisia que pode evoluir para uma resistência fragmentada e prolongada, dificultando a obtenção da vitória política definitiva buscada por Washington.

Ademais, a eficácia da coerção por negação é testada pela resiliência da infraestrutura subterrânea iraniana. Embora a GBU-57 tenha causado danos severos, a teoria de Pape sugere que, enquanto o defensor acreditar que pode reter uma fração mínima de sua capacidade de retaliação ou de seu objetivo principal — neste caso, o conhecimento técnico nuclear —, a coerção falhará em produzir uma mudança de comportamento. Assim, o fortalecimento militar dos EUA no Oriente Médio, o maior desde 2003, embora tecnicamente impecável sob o ponto de vista tático, enfrenta o desafio teórico de traduzir a destruição material em estabilidade regional. Como Pape observa, o poder aéreo é uma ferramenta de força, mas raramente é uma solução política isolada para conflitos enraizados em dilemas de segurança e identidades nacionais profundas. Ademais, não há precedentes de uma mudança de regime alcançada apenas com ataques aéreos. No Iraque, em 2003, foi necessária uma invasão, coisa que Trump não parece estar disposto a fazer.

Breve histórico das relações Irã-EUA

Imagem: Freepik

Antes da revolução islâmica de 1979, EUA e Irã eram aliados. De fato, EUA e Reino Unido lucravam por meio de suas relações com o Irã, já que a Anglo-Persian Oil Company foi a primeira companhia a explorar reservas petrolíferas no Oriente Médio até sua extinção em 1954. Isso porque em 1951 o Irã nacionalizou seu petróleo – decisão que desagradou os britânicos e os levou à Corte Internacional de Justiça. Em resposta, o Irã alegou que a CIJ não tinha jurisdição sobre o caso, entendimento que a corte julgou como correto em julho de 1952. Esse foi o ponto crucial para a deterioração das relações do Irã com o Ocidente.

A partir daí, em 1953, Mossadegh, o então primeiro-ministro do Irã, foi deposto por meio de um golpe militar orquestrado pela CIA e pelo MI6 – serviço de inteligência britânico. Mossadegh havia sido democraticamente eleito e tinha planos de modernizar a economia iraniana a partir dos lucros obtidos pela exploração do petróleo. Contudo, EUA e Reino Unido tinham outros planos para o petróleo iraniano, como se confirma por meio de documentos desclassificados pelos EUA em 2013, quando a CIA admitiu seu envolvimento. A Operação Ajax envolveu o financiamento de protestos e suborno de políticos e militares iranianos. Seu objetivo era a instalação de um governo pró-Ocidente no Irã, um plano que se mostrou bem-sucedido apenas por um breve período.

Após a queda de Mossadegh, por 26 anos, o xá Mohammad Reza Pahlavi governou o Irã até sua derrubada pela revolução islâmica em 1979. É importante destacar que ele já reinava no país desde 1941, quando seu pai foi deposto durante a Segunda Guerra Mundial. Durante seu reinado, uma série de reformas que ficaram conhecidas como Revolução Branca ocorreu com o intuito de reformar o Irã, econômica e socialmente.  

Em um brevíssimo resumo, a Revolução Iraniana de 1979 transformou um governo monárquico anteriormente pró-ocidente em uma República Islâmica xiita. O esforço revolucionário buscou, especialmente na década de 80, islamizar a sociedade por meio de leis e instituições políticas. Além disso, logo após a Revolução, o país travou uma guerra contra o Iraque, da qual o saldo foi quase um milhão de mortos e quase nenhuma mudança nas fronteiras entre os países. Importante destacar também que a Revolução representou uma grande perda para os EUA, que deixou de ter um aliado na região.

Saltando para o presente, o que vemos agora é o oposto do que Trump prometeu: nenhuma nova guerra. Ele já havia condenado as intervenções dos EUA no Oriente Médio, como no Iraque e na Líbia. Para o presidente americano, foi um erro interferir nesses países — mesmo que fossem governados por ditadores que violavam os direitos humanos. Em suas palavras, esses países estão agora muito piores do que antes. No entanto, ele parece ter mudado de ideia quando o assunto é o Irã. Trump convidou abertamente os cidadãos iranianos a aproveitarem a oportunidade e derrubarem o regime — uma aposta que pode ter resultados imprevisíveis.

A questão nuclear

Historicamente, a posse de armas nucleares confere a um Estado deterrência – ou dissuasão – nuclear, isto é, a prática de desencorajar ou restringir um inimigo de tomar uma ação indesejada, como um ataque armado ou a ameaça de um ataque. Contudo, justamente pelo alto risco envolvendo tais armas, a sua proliferação é amplamente combatida na comunidade internacional, especialmente em regiões palco de grandes disputas, como o Oriente Médio. Israel é o único país da região que efetivamente possui armas nucleares, apesar de não declarar oficialmente a posse desse arsenal, como discutimos na coluna sobre a política de opacidade nuclear de Israel.

O Irã, por sua vez, é membro do Tratado de Não-proliferação Nuclear (TNP),  porém foi acusado diversas vezes de violá-lo com o intuito de alcançar um armamento nuclear, já que o tratado permite o uso da tecnologia somente para fins pacíficos. Assim como o Brasil, o Irã possui urânio enriquecido, material que tem uso dual, isto é, pode ser utilizado para fins pacíficos ou armamentistas. Enquanto membro do TNP, o Irã precisa se submeter às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para que esta possa verificar se o enriquecimento do material radioativo está dentro dos limites permitidos. Contudo, a AIEA afirma que pelo menos desde 2019, o Irã não coopera completamente com os inspetores da agência. Ademais, após os ataques a suas instalações nucleares em junho de 2025, o Irã se recusava a permitir novas inspeções nos locais bombardeados, acusando a agência de ter fornecido informações sigilosas a Israel. 

Nesse contexto, negociações vinham ocorrendo nas últimas semanas entre Irã e Estados Unidos com o intuito de evitar o conflito, as quais foram interrompidas frente aos recentes ataques iniciados em 28 de fevereiro de 2026. Sob a justificativa de impedir suas pretensões nucleares, os ataques marcam mais um ponto de inflexão na região, visto que esse é o maior fortalecimento militar dos EUA no Oriente Médio desde a guerra do Iraque em 2003. Fato que pode trazer ainda mais instabilidade para a região, uma vez que a localização estratégica do Irã une a Ásia Central, o Oriente Médio e o Cáucaso. De todo modo, essa não é a primeira vez que o Irã é atacado sob a justificativa de parar ou atrasar o seu programa nuclear.

Em 2021, no dia 11 de abril, pouco depois de ter anunciado suas mais novas centrífugas, o governo do Irã informou ter sido alvo de um ataque, o qual considerou um ato de “terrorismo nuclear”. Na ocasião, a instalação nuclear em Natanz foi sabotada por meio de um ataque cibernético que teria vindo do governo de Israel, liderado pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, aumentando a tensão entre os dois países. Segundo o jornal The Jerusalem Post, o ataque foi realizado por meio de um artefato explosivo que foi contrabandeado para dentro da instalação e detonado remotamente. O apagão provocado teria como alvo a subestação elétrica localizada a mais de 50 metros abaixo do solo, danificando várias máquinas usadas para o refino da matéria nuclear, dentre elas “milhares de centrífugas” essenciais para a manipulação de urânio, conforme agentes iranianos. 

No dia 13 de junho de 2025, Israel atacou o Irã como parte da operação Rising Lion. Em um ataque coordenado, Israel ativou uma base de drones explosivos que, segundo a Mossad, havia sido estabelecida no Irã meses antes. Os drones atingiram radares de defesa aérea e pontos de comunicação importantes, ao que se seguiu um ataque aéreo de 200 aeronaves israelenses a diversos alvos, incluindo instalações nucleares e lideranças militares do país. Os alvos foram atingidos com sucesso e o programa nuclear iraniano sofreu duras perdas. No dia 21 de junho do mesmo ano, atendendo a pedidos de Israel, os EUA conduziram ataques aéreos sobre as instalações nucleares iranianas de Fordow, Natanz e Isfahan. Os ataques representaram um marco nas relações Irã-EUA, mas também geraram repercussões mais amplas sobre o cenário internacional como um todo. Isso porque Donald Trump, que havia afirmado que não tinha interesse em iniciar novas guerras, decidiu atacar o país a pedido de Israel – assim como vemos agora.

O diretor geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, criticou os ataques devido ao risco de contaminação que eles ensejam. O diretor também havia criticado anteriormente os ataques russos à usina nuclear de Zaporizhia, agora sob controle russo, no contexto da guerra na Ucrânia. “Como afirmei repetidamente – antes e durante o conflito – as instalações nucleares nunca devem ser atacadas devido ao risco muito real de um grave acidente radiológico”, declarou Grossi. Contudo, afirmou que não há evidências de risco ambientais ou para a população após os ataques, visto que os reatores nucleares não foram atingidos.

Na ocasião, o presidente americano, Donald Trump, chegou a declarar que o programa nuclear iraniano teria sido “obliterado”. Contudo, ao se pronunciar quanto aos ataques de 28 de fevereiro de 2026, evocou novamente a justificativa nuclear, assim como acusou o Irã de ser o maior financiador do terrorismo na Terra. “Eles rejeitaram todas as tentativas de abandonar suas pretensões nucleares”, afirmou o presidente dos EUA. Para Trump, o ataque ao Irã é uma forma de desmantelar suas proxies, como Hamas e Houthis e, acima de tudo, uma forma de garantir que o regime nunca alcance a posse de um armamento nuclear. “Eles nunca terão uma arma nuclear”, declarou o líder americano.

Nos episódios supracitados, assim como em diversos outros, o Irã manteve sua negativa quanto a possíveis fins militares de sua tecnologia nuclear. O país afirma utilizar a tecnologia apenas para fins civil e energético, algo permitido pela AIEA. O Irã argumenta, ainda, que suas centrífugas estavam abaixo do solo não para esconder o projeto, mas para protegê-las de ataques militares terrestres e aéreos, tendo em vista o histórico de ataques ocorridos no passado. 

Em julho de 2020,  a instalação em Natanz havia sofrido um ataque com bombas, as quais estavam escondidas dentro de uma mesa; em 2010, no mesmo local, o vírus stuxnet danificou mil centrífugas iranianas deixando-as fora de uso. Além disso, segundo o The Jerusalem Post, o ex-chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 2010 com bombas colocadas na lateral de seu carro, enquanto dois cientistas nucleares, Majid Shahriari e Mohsen Fakhrizadeh, foram mortos em ataques semelhantes (o primeiro morreu no mesmo dia da tentativa do ex-chefe da AEOI; o segundo, o principal cientista nuclear do Irã,  em um assassinato atribuído a Israel em 2020).

Três dias após o ataque de 2021, o Irã anunciou que iria reconstruir a fiação elétrica e que aumentaria o enriquecimento do urânio de 20% para 60% – nível proibido pelo Plano Global de Ação Conjunta (JCPA – sigla em inglês), acordo nuclear realizado em 2015 entre o Irã e as demais potências mundiais. Esse nível de enriquecimento se aproxima do requerido para construir uma bomba nuclear. Soma-se a isso o fato de que, em 2018, durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, os EUA saíram do JCPA, abrindo espaço para que o Irã o descumprisse. Durante o governo Joe Biden, houve tentativas de retomada do acordo, contudo sem sucesso devido à falta de confiança entre as partes.

De todo modo, a principal razão que leva um país a buscar desenvolver suas próprias armas nucleares, mesmo diante dos altos custos econômicos e principalmente políticos, é a percepção de ameaça. Se um país acredita que só poderá se defender de uma ameaça com armas nucleares ou que só poderá assegurar a sobrevivência do seu regime com armas nucleares, é muito mais provável que ele se mantenha resoluto nesse objetivo. Portanto, assim como é improvável que ataques aéreos possam isoladamente garantir uma mudança de regime, é difícil que tornem o Irã mais cooperativo quanto ao seu programa nuclear. 

Por Cinthya Araújo e Maria Mont Serrat

Referências

https://www.jpost.com/middle-east/natanz-attack-destroyed-facility-50-meters-underground-664979

https://www.bbc.com/news/world-middle-east-56734657

https://www.bbc.com/news/world-middle-east-56722181

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/04/12/ira-acusa-israel-de-ataque-contra-instalacao-nuclear.ghtml

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/04/02/ira-aceita-participar-de-encontro-em-viena-sobre-acordo-nuclear.ghtml https://www.washingtonpost.com/politics/2021/04/20/irans-nuclear-program-wont-be-stopped-by-recent-explosion-attack-puts-pressure-negotiators/ 

https://edition.cnn.com/2025/06/24/politics/intel-assessment-us-strikes-iran-nuclear-sites

https://www.iaea.org/newscenter/pressreleases/update-on-developments-in-iran-6

https://www.armscontrol.org/factsheets/nuclear-weapons-who-has-what-glance

https://www.icj-cij.org/case/16

https://nsarchive2.gwu.edu/NSAEBB/NSAEBB435/#:~:text=(The%20Archive%20has%20asked%20the,and%20smoothing%20over%20the%20aftermath.

https://www.iaea.org/topics/monitoring-and-verification-in-iran

https://www.cnn.com/2015/10/25/politics/donald-trump-moammar-gadhafi-saddam-hussein