Pode Israel tudo?
Por Caio Ponce de Leon Ribeiro Freire 14/02/2024 15 min
Desde o atentado levado a cabo pela organização terrorista Hamas no dia 7 de outubro, o governo de Benjamin Netanyahu tem sido o responsável por atrocidades cometidas contra a população da Faixa de Gaza, violando o direito internacional, menosprezando a ONU e tudo com o aval de vários países ocidentais.
“Você condena o Hamas?” é a pergunta automática realizada por jornalistas das mídias ocidentais a qualquer entrevistado que venha denunciar as calamidades que têm sido infligidas contra os habitantes do território palestino de Gaza. Esta é quase uma versão “civilizatória” (ironicamente falando) do conhecido “teste de Turing” que foi idealizado para checar se um utilizador de uma máquina é um ser humano ou uma máquina. Para a redação de muitas mídias, também brasileiras, este é o teste necessário para saber se o que a/o entrevistada(o) falará poderá ser considerado ou diretamente rechaçado como “propaganda pró-terrorismo”.
Há quase um mês, Israel foi vilmente atacado pelo grupo terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Isso ocorreu no dia 7 de outubro, logo após o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, que se baseou em um ataque surpresa liderado por Egito, Síria e Iraque em 1973 contra Israel em meio a uma das festas religiosas mais importantes do calendário judaico. Vinte dias e mais de 18 mil mortos depois (2,6 mil do lado israelense contra entre 8 a 15 mil do outro lado), Israel saiu vitorioso da guerra. Com o passar das décadas, as relações de Israel com seus vizinhos foi se normalizando devagar. Mais recentemente, as relações com outro gigante regional, a Arábia Saudita, representaria uma mudança histórica na aceitação árabe do estado de israelense. Isso, porém, foi abruptamente freado pelo Hamas.
O Hamas que surgiu no final da década de 1980 e pregava, desde já, a luta armada e o controle palestino de todo o território – inclusive aquele já governado por Israel e aprovado no plano das Nações Unidas. Sua relevância cresceria, sobretudo em Gaza, após sua participação – e vitória – nas eleições parlamentares de 2006, que foram consideradas por observadores internacionais como “genuinamente competitivas e democráticas”1. É importante mencionar que, durante a campanha, o Hamas não adotou uma agenda islâmica, mas uma que promovia a soberania palestina sobre os territórios – fazendo inclusive um reconhecimento implícito da “solução de dois Estados” ao mencionar uma cotutela de Jerusalém. Ainda, é preciso entender o contexto em que se deu a vitória do Hamas em Gaza.
O território, ocupado por Israel militarmente desde a Guerra dos Seis Dias em 1967, passou a ser cotutelado entre Israel e a Autoridade Palestina (AP) a partir de 1994, quando porções de Gaza passaram a ser administradas pela AP, com exceção dos assentamentos israelenses estabelecidos na região e áreas militares dominadas pelas forças de Israel – parecido com o que se vê até hoje na Cisjordânia. Anos depois, antes das eleições parlamentares de 2006, o governo israelense decide, unilateralmente e sem dialogar com o então governo palestino controlado pelo partido de esquerda Fatah, retirar todas as suas tropas de Gaza e desmontar os assentamentos. O que pareceria ser algo positivo, acabou sendo algo que acabaria fortalecendo o mais novo partido, o Hamas, uma vez que a saída descoordenada da região gerou instabilidade política, já que a AP não pôde atuar diretamente para desenvolver a região após anos de ocupação e embargos de várias sortes impostos por Israel2. O resultado final das eleições parlamentares de 2006 viram o Hamas conquistando 44,45% dos votos (o que lhe rendeu 74 assentos) e o Fatah, 41,43% (traduzidos em 45 assentos).
Resultado das eleições parlamentares de 2006 nos territórios palestinos

Rapidamente a situação se desequilibrou ainda mais, com invasões executadas por cerca de 8 militantes de Gaza que atacaram as Forças de Defesa de Israel (FDI) e sequestraram um soldado israelense – a ala militar do Hamas declarou ser responsável pelo ataque. Esse episódio fez com que o governo de Israel lançasse ataques tanto em Gaza quanto na Cisjordânia, causando destruição de infraestrutura civil e a prisão de vários apoiadores do Hamas, inclusive membros eleitos. Israel chegou a prender 33 parlamentares palestinos, mesmo afirmando que “eles eram tecnicamente membros de uma organização terrorista, por mais que pudessem não estar diretamente envolvidos nos atos terroristas”. Após esses eventos, o chamado “Quarteto do Oriente Médio”, formado pelos EUA, União Europeia, Rússia e ONU, impôs ao governo recém-eleito do Hamas as condições de reconhecer os acordos assinados previamente entre Israel e a AP, o reconhecimento do Estado de Israel e o fim do apoio ao terrorismo, o que foi negado. O “não” do governo do Hamas fez com que sanções fossem impostas por Israel e pelo Quarteto tanto à AP quanto aos dois territórios palestinos.
Em meio a certos argumentos feitos a favor da atuação de Israel, tanto antes do dia 7 de outubro como desde então, está a falsa premissa de que “se o povo palestino votou pelo Hamas, então eles são a favor do terrorismo e, portanto, merecem a retaliação de Israel”. Este argumento é uma falácia perigosa não só por ser falsa, mas principalmente por ser a base da desumanização de uma população inteira.
Por um lado, é importante ressaltar o que foi mencionado que, em 2006, à época que o Hamas apresentou-se como uma força política, ele recebeu 44% dos votos à época, em meio a uma população de 3,4 milhões de habitantes3 e pouco mais de um milhão de eleitores (76% de participação)4. O Hamas teve 440 mil votos, concorrendo em uma plataforma que não se baseava em uma agenda islâmica e que falava em soberania nacional (após anos de ocupação e repressão). Ou seja, há 17 anos, cerca de 12% da população total da Palestina votou em um partido que lhes prometia algo mais moderado e soberania.
Desde então, por um lado, a população da Palestina não pôde mais se expressar em eleições, após a guerra civil entre o Hamas e o Fatah – que teve como resultado o Hamas controlando a Faixa de Gaza e a Autoridade Palestina, representada por seu presidente pertencente ao Fatah, a Cisjordânia. Por outro lado, a população palestina cresceu para cerca de cinco milhões de habitantes – das quais 38% são menores de 14 anos5. Isso significa que uma parcela considerável da população atual da Palestina não era nem mesmo nascida quando o Hamas tomou o poder em 2006. Dados mais recentes nos ajudam a ter uma visão mais fidedigna do que palestinos pensam do Hamas.
Em uma pesquisa realizada pelo Arab Barometer6 (um centro de pesquisas quantitativas no Oriente Médio) em 2023, e reverberada pela prestigiada revista Foreign Affairs7, a confiança da população de Gaza no Hamas foi medida. Os resultados mostram que, entre aqueles que têm mais de 30 anos, quase 50% não confiam “de forma alguma” no governo controlado pelo Hamas, enquanto mais de 20% afirmam “não confiar muito”. Entre aqueles que têm entre 18 e 29 anos, os números são cerca de 45% e 23%, respectivamente:
“Quanto você confia no governo liderado pelo Hamas?“

Vê-se, então, que grande parte da população foi contra o governo do Hamas e continua sendo. Ainda mais, com uma grande parcela da população sendo composta por menores de idade, mesmo crianças e adolescentes, é possível perceber claramente que a associação falaciosa de “palestinos” com “terroristas” mostra-se como uma perigosa distorção da verdade que legitima a desumanização de toda uma população às custas das ações de uma minoria radical. Especialmente em meio à grande crise da democracia vivenciada no mundo, em que parcelas consideráveis das populações nacionais se alinham a extremistas – como observado no Brasil com Bolsonaro, nos EUA com Trump ou em vários países europeus com o crescimento de partidos/candidatos da extrema-direita -, fica claro perceber que uma pequena minoria, apoiada pontualmente em uma eleição, pode gerar comoções internacionais que, por sua vez, podem criar situações temerosas para o total da população que, muitas vezes, despreza essas políticas. Assim como o Brasil não foi Bolsonaro, os EUA não foi Trump, a Palestina – e Gaza em especial – não é o Hamas.
Outro argumento utilizado para justificar a carnificina levada a cabo há quase um mês pelo governo Netanyahu é a cartada de que Israel, em sendo uma democracia – até mesmo a única da região -, não poderia fazer algo contra os direitos humanos.
De fato, Israel é o único país do Oriente Médio – com exceção do Chipre, que nem sempre é considerado como parte da região – que pode ser considerado uma democracia, quando se observa os índices científicos que analisam o estado democrático de um regime. Uma breve olhada no Índice de Democracia Liberal da base de dados V-Dem permite observar que, na pontuação que vai de 0 a 1, Israel se destaca dos países vizinhos, alcançando uma taxa de 0,65 contra números bem mais próximos ao 0 em todas as direções.
Índice de Democracia Liberal no Oriente Médio

Uma análise da evolução deste mesmo índice, no entanto, mostra que uma queda pôde ser observada durante o governo Netanyahu II (2009-2021). Neste período, a nota de Israel caiu do patamar de 0,69 para 0,62 em 2019 – a menor entrada no índice desde 1990. O Índice de Democracia Eleitoral, que foca mais no processo eleitoral justo, também chegou a cair 0,06 pontos entre 2009 e 2018, mostrando que o governo do primeiro-ministro israelense teve um impacto negativo para a democracia do país.
Evolução dos Índice de Democracia Eleitoral e Índice de Democracia Liberal em Israel

É compreensível que o liberalismo de Israel tenha sido afetado pelo governo Netanyahu, sobretudo entre 2018-2019. Neste período, Israel aprovou o chamado “Projeto de Lei do Estado-Nação” ou, oficialmente, “Lei Básica: Israel como o Estado-Nação do Povo Judeu“. Esta lei prevê que Israel seja um Estado judeu, no qual apenas o povo judeu tem o direito a exercitar sua “autodeterminação nacional”. A capital foi alterada de Tel Aviv para Jerusalém – que já havia sido anexada no fim do último século, mas não é reconhecida internacionalmente -, o árabe foi retirado como uma das línguas oficiais do país, mantendo apenas o hebraico, e o desenvolvimento de assentamentos judeus é fomentado e estabelecido como um “valor nacional”. Esta lei veio para sedimentar um sentimento já antigo de transformação de outros cidadãos, que não judeus, em “cidadãos de segunda categoria”, como é denunciado pelas populações árabes8,9 que compõem cerca de 20% da população do país.
Em 2019, Netanyahu falaria que Israel “não é um Estado de todos os seus cidadãos”, sendo exclusivamente um Estado para judeus10, por mais que tenha ressaltado que outros povos “tenham os mesmos direitos que todos nós”. Na verdade, Netanyahu e seu partido, Likud, têm sido fervorosos na demonização das populações árabes de Israel. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU deste ano, em setembro, Netanyahu apareceu com um mapa do “Novo Oriente Médio” no qual ele mostra todo o território do antigo mandato britânico da Palestina sob controle de Israel, ou seja, incluindo toda a Cisjordânia e Gaza.

Para além dos problemas liberais envolvendo minorias árabes em Israel, Netanyahu também tem trabalhado para minar a justiça do país, motivo pelo qual há meses, milhares de israelenses têm tomado as ruas em Israel para protestar contra o governo. Com a intenção de limitar os poderes do poder judiciário, a proposta do governo Likud é vista como um ataque à democracia israelense, fato sempre minimizado por Netanyahu11. Observar os planos de minar a força do judiciário no país dentro de um grande contexto global em outras democracias veem seus líderes com vieses autoritários seguindo o mesmo manual torna o questionamento do comprometimento democrático de Netanyahu e seu partido bastante pertinente.
Para além do cenário interno, é palpável como Israel parece ter aberto mão por completo da diplomacia e passado a ter uma política externa de confronto, como tantos países governados por líderes autoritários – quiçá pior. Não é novidade que em suas alocuções em redes sociais, o governo de Israel tem histórico de se assemelhar a muitos tuiteiros birrões. Troca de farpas com a conta oficial do governo do Irã, inimigo número um de Israel, por meio de memes e GIFs ilustram bem esse quadro.
Desde os ataques terroristas do começo de outubro, porém, esse comportamento passou a ser o padrão do país. Além da fortíssima propaganda, tentando associar diretamente o Hamas ao Estado Islâmico e o povo da Palestina (tanto de Gaza como da Cisjordânia) como “terroristas”, o governo israelense passou a atacar qualquer um que denuncie suas claras violações do direito internacional.
As Nações Unidas tornou-se um dos inimigos declarados de Israel após denunciar o assassinato de seus trabalhadores por meio de bombardeios israelenses em Gaza e a punição coletiva de uma população de 2,2 milhões de pessoas que estão sem água, sem comida e sem luz, totalmente embargadas fisicamente do resto do mundo. O governo de Israel não só “pediu a cabeça” do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, por ter afirmado que os ataques terroristas do Hamas “não ocorreram no vácuo”, fazendo referência à ocupação dos territórios palestinos há décadas e à política de Apartheid levada a cabo por Israel na Cisjordânia, como também negou vistos para diplomatas das Nações Unidas. Para Israel, “chegou a hora de dar-lhes uma lição”12 (na ONU) e “cortar seu financiamento”13 até que “o viés e o antissemitismo pare”.
“Antissemitismo“, que significa ter visões ou preconceito contra judeus ou o judaísmo, tornou-se a palavra de ordem de Israel para qualquer pessoa, instituição ou país que ousar questionar-lhes, deturpando completamente um termo que é pesadíssimo e já provou gerar consequências devastadoras para o povo judeu durante a história da humanidade. Para um governo que transformou o Estado de Israel, até então, um país como tantos outros, em um Estado “essencialmente judeu” – a partir da entrada em vigor da lei mencionada anteriormente -, faz sentido que uma crítica ao país seja vista, por eles, como antissemitismo. Não obstante, não se pode permitir que um país se defenda de críticas válidas, ou de apelos para que siga os princípios básicos da convivência internacional e humana, usando uma deturpação destas proporções.
Não só a ONU foi taxada como antissemita, mas também líderes e movimentos internacionais tais como a jovem Greta Thunberg14, líder do movimento ecológico “Fridays for Future“, ou mesmo países que se mostraram solidários com a dor dos civis palestinos vítimas dos bombardeios ininterruptos de Israel, que foram taxados por oficiais israelenses como “não democracias”.
O mais impressionante é que Israel, com sua campanha de destruição de Gaza – oficialmente “destruição do Hamas”, “Hamas” sendo entendido como “Palestina” por muitos do governo israelense -, está simplesmente destruindo quaisquer crenças, já frágeis, de uma comunidade internacional baseada na defesa de direitos humanos, como tanto propagada pelo Ocidente. Se esta era uma pauta defendida pela maioria dos países do Ocidente (ou também “Norte Global”) há um ano quando a Rússia invadia, também ilegalmente, a Ucrânia com um discurso de negação do direito do país de existir, a exata mesma política adotada por Israel encontra acolhimento nesses mesmos países.
Manifestações de apoio aos civis palestinos são proibidas e taxadas de “pró-terrorismo” e “antissemitas” em países europeus tais como França15 e Alemanha16, mas também nos EUA. Até mesmo judeus que são contra a guerra encabeçada pelo governo Netanyahu são taxados como antissemitas e presos17.
Ainda nas Nações Unidas, os EUA mostram que não têm interesse em defender os direitos humanos em áreas que considerem importantes a seus interesses, uma vez que vetaram a proposta feita pelo Brasil no Conselho de Segurança que, por um lado, condenava os ataques terroristas do Hamas, mas, por outro, requeria pausas humanitárias para que alimentos e água fossem levados aos civis sofrendo sob o cerco de Israel em Gaza18.
Na Assembleia Geral da ONU, 120 países votaram a favor da resolução que visava à proteção de civis e atentava às obrigações legais e humanitárias em Gaza. Mais uma vez, com exceção de países como França, Irlanda e Portugal, o Ocidente mostrou-se contra a defesa dos direitos humanos, votando contra ou se abstendo – em uma resolução que não seria nem mesmo vinculante, ou seja, é apenas simbólica.
Resultado da votação da resolução por uma “trégua humanitária” e proteção civil na Assembleia Geral das Nações Unidas – 27 de outubro de 2023

Este episódio recente do longo conflito entre a Palestina e Israel ainda demorará para se encerrar. O próprio governo de Israel afirma que a operação em Gaza “durará meses”. A situação humana, por enquanto, é catastrófica. Os efeitos globais podem ser ainda mais. Se desenvolvimentos recentes, tais como o abandono de países do Sul Global durante a corrida pelas vacinas durante os anos pandêmicos ou a clara predileção pelos “seus” mostrada com a atuação de países do Norte Global em sua rápida atuação contra a Rússia ao ilegalmente invadir a Ucrânia, já davam sinais que a ordem global encabeçada pelo Ocidente já era fraca e baseada em falácias e termos “bonitos” que eram rapidamente esquecidos assim que seus interesses falassem mais alto, a “vista grossa” lançada por esses países ao massacre de milhares de civis palestinos com base nas atrocidades cometidas por um grupo terrorista – que nem mesmo é apoiado por essas populações – deixa claro a países do Sul Global (dos quais o Brasil tem interesse em ser um dos proeminentes líderes) que negociar com o Norte não lhes traz tantos benefícios.
Isso, por sua vez, gera incentivos para que haja a formação de novas constelações da política internacional que, dados os regimes de alguns grandes países deste grupo, não promete ser mais positiva do que a ordem que rege o mundo até então. Ao esvaziar fóruns multilaterais, tais como as Nações Unidas, esses países do Ocidente acabam criando condições para enfraquecer não só a eles mesmos, mas também, e sobretudo, os valores que dizem defender. O enfraquecimento dos direitos humanos a nível global, chefiado por uma defesa cega de um regime extremista que visa à aniquilação de um povo, poderá custa caríssimo para toda a humanidade.
1 Bouris, Dimitris (2014). The European Union and Occupied Palestinian Territories: State-building without a state.
2 https://www.britannica.com/event/Israels-disengagement-from-Gaza
3 https://data.worldbank.org/indicator/SP.POP.TOTL?locations=PS
4 https://www.electionguide.org/elections/id/1433/
5 https://data.worldbank.org/indicator/SP.POP.0014.TO?locations=PS
6 https://www.arabbarometer.org/media-news/what-palestinians-really-think-of-hamas/
7 https://www.foreignaffairs.com/israel/what-palestinians-really-think-hamas
8 https://www.theguardian.com/world/2018/jul/19/one-more-racist-law-reactions-as-israel-axes-arabic-as-official-language
9 https://www.haaretz.com/2018-07-20/ty-article-opinion/by-degrading-arabic-israel-has-degraded-arabs/0000017f-db8c-d3ff-a7ff-fbac400d0000
10 https://www.theguardian.com/world/2019/mar/10/benjamin-netanyahu-says-israel-is-not-a-state-of-all-its-citizens
11 https://edition.cnn.com/2023/09/12/middleeast/israel-judicial-overhaul-supreme-court-intl/index.html
12 https://www.timesofisrael.com/israel-halts-un-staff-visas-as-officials-pan-guterress-truly-insane-hamas-remarks/
13 https://twitter.com/giladerdan1/status/1718680059614036093
14 https://economictimes.indiatimes.com/news/international/uk/greta-thunbergs-pro-palestine-post-sparks-controversy-over-alleged-anti-semitic-symbol/articleshow/104643642.cms
15 https://apnews.com/article/france-israel-palestinians-war-protests-banned-5626bafec480b32226dcb97d0c92a553
16 https://www.aljazeera.com/features/2023/10/26/complete-censorship-germanys-palestinian-diaspora-fights-crackdown
17 https://www.theguardian.com/world/2023/oct/19/jewish-protest-israel-gaza-washington-dc
18 https://edition.cnn.com/2023/10/18/europe/us-veto-security-council-israel-gaza-war-intl/index.html
19 https://news.un.org/en/story/2023/10/1142932